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Conheça o Júri de Seleção do Concurso Obras Estudantes

Hoje é a vez do Júri de Seleção dos Filmes de Estudantes!
Os membros deste Júri falam sobre a evolução do Cinema de Animação, sobretudo nas instituições de ensino superior. É nesse sentido também que perspetivam um futuro risonho para os talentos emergentes! 

JOSÉ ALBERTO RODRIGUES

“A minha relação com o CINANIMA é muito forte, quase umbilical”

Com uma vasta experiência enquanto jurado, José Alberto Rodrigues já fez parte da Comissão Organizadora do CINANIMA e foi coordenador do Serviço Educativo. Foi, aliás, através desse contacto com o CINANIMA que constata “a aproximação definitiva ao mundo do cinema de animação”. Considera que a evolução do panorama do cinema “é grande” e “muito positiva” e acentuou-se, sobretudo, devido à criação de escolas dedicadas a cursos de Cinema de Animação. Fazer parte do Júri de Seleção é, para ele, “uma honra e uma responsabilidade” e que faz esquecer o trabalho de (largas) dezenas de horas de visionamento e seleção de filmes. Espera que este ano seja verdadeiramente a primeira edição “pós-pandemia” e, por isso, as expetativas são elevadas.

Há quanto tempo e de que forma surgiu a sua aproximação ao cinema de animação?

Apesar de atento, desde cedo, ao cinema de animação, sendo também alguém que enquanto pequeno fui da “geração Vasco Granja”, consumi cinema de animação de qualidade enquanto pequeno. Mas a aproximação definitiva ao mundo do cinema de animação aconteceu quando, em 1997, frequentei uma ação de formação para professores, com a duração de 50 horas, promovida pelo CINANIMA e integrada nas atividades pré-festival desse ano, dessa edição. Foi nessa altura que aprendi as bases do cinema de animação, as suas técnicas e me deixei apaixonar por esta arte. Desde então, e passado logo um ano, comecei a integrar as oficinas do CINANIMA e pouco depois integrei a Comissão Organizadora do Festival. Fui responsável pelos seus workshops e, mais tarde, coordenador do seu Serviço Educativo. Entretanto, em 2017 houve um interregno na minha participação, pois dediquei-me a outros projetos e abandonei a organização.

Que análise faz sobre a evolução do cinema de animação nos últimos anos?

A evolução é grande e muito positiva. Se já assim tinha sido quando as tecnologias, há cerca de 20 ou 25 anos, passaram a facilitar muito o trabalho dos realizadores e animadores, hoje em dia a evolução é ainda maior com o alcance das novas ferramentas, a vários níveis. Também a criação de escolas, que ao nível de ensino superior dedicam cursos ao Cinema de Animação, são uma mais-valia extraordinária. Isso vê-se pela quantidade cada vez maior de filmes produzidos e, claro, também na sua qualidade.

O que sente em relação ao CINANIMA e em fazer parte do painel de jurados?

A minha relação com o CINANIMA é muito forte, quase umbilical – logo após o primeiro contacto que vos referi, em 1997. Foram anos de empenho, dedicação, aprendizagem e partilhas permanentes. Esta relação próxima é também fruto de ter lutado muito por ter neste festival um verdadeiro Serviço Educativo que funcionou de forma verdadeiramente fantástica durante alguns anos, interrompida nos últimos dois ou três anos, mas que estou certo, irá ser retomada já este ano. Fazer parte do painel dos jurados é uma honra e uma responsabilidade enorme, pois é um festival onde os melhores querem estar e no caso da categoria na qual sou jurado – júri internacional dos filmes de escolas – são largas centenas de filmes para muito poucos que devem ser selecionados para competição internacional. É uma honra e uma responsabilidade, que faz esquecer o trabalho de dezenas, largas dezenas, de horas de visionamento e avaliação de filmes.

Quais são as suas expetativas para a edição deste ano?

São expetativas elevadas, claro. Acredito que será, verdadeiramente, a primeira edição “pós-pandemia”, pelo menos aquela em que teremos o público a assistir e a participar em pleno nas atividades do Festival. Dos filmes que também tenho visto e analisado, sendo de estudantes, a qualidade é muito elevada e acredito que, de forma global, isso aconteça em todas as categorias. As expectativas são as melhores e as mais elevadas, portanto.


PEDRO MOTA TEIXEIRA

É um estímulo muito grande poder assistir ao aparecimento de novos talentos”

Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, com especialidade de Audiovisuais, Pedro Mota Teixeira frequentou o seu primeiro curso de animação em Espinho – organizado pelo CINANIMA. Com experiências académicas e profissionais em Paris e no Porto, o realizador de filmes de animação, ilustrador e animador digital considera que o cinema de animação “tem crescido imenso nos últimos anos”. Confessa sentir “um orgulho muito grande” por integrar o Júri de Seleção do CINANIMA 2022 e mostra-se entusiasmado por assistir a quem será o vencedor do prémio das escolas, uma vez que se encontra no painel de seleção de Filmes de Estudantes.

Há quanto tempo e de que forma surgiu a sua aproximação ao cinema de animação?

O meu percurso começou há muitos anos atrás quando comecei a desenvolver algumas bandas desenhadas e a acompanhar o salão de banda desenhada do Porto. Alguns prémios em alguns concursos me motivaram para continuar e, aos 16 anos, pelas mãos do meu querido Prof. Clídio Nóbio, frequentei o meu primeiro curso de animação em Espinho, organizado precisamente pelo CINANIMA, e logo com o experiente Jordi Artigas. A partir daí procurei dar continuidade a um trabalho pessoal e procurei estudar animação em Paris, onde desenvolvi um projeto sob a supervisão de Jordan Crandell, editor na altura da “Archive”. No meu último ano da licenciatura na Faculdade de Belas Artes do Porto, fui contactado para trabalhar na série de televisão “Major Alvega” (RTP), onde aprendi imenso acerca da animação em computador. Nesses anos (princípios de 2000) acabei por trabalhar imenso para aberturas televisivas em animação. Acabei por merecer o meu primeiro apoio financeiro do ICA que me permitiu explorar os meandros da animação por computador. Estes foram os passos fundamentais para mim e que deram início ao meu percurso pessoal e profissional. Neste momento o meu interesse está repartido nos mix media, onde procuro navegar entre a manualidade e a tecnologia digital.

Que análise faz sobre a evolução do cinema de animação nos últimos anos?

O cinema de animação tem crescido imenso nos últimos anos, este é um facto incontestável e bem visível, pois na sua génese, a animação é resiliente e atua num “campo alargado” de plataformas e inúmeras formas de produção, publicação e distribuição. Assim, a grande diversidade de expressões, a inclusão de diferentes técnicas e esta permeabilidade da tecnologia na animação tem permitido que cada vez mais jovens se interessam e tenham acesso a fontes de aprendizagens muito cedo. Esta é acima de tudo uma expressão artística que exige uma grande entrega e exigência. Para além disso, a partilha a um nível global de experiências e contactos tem fomentado uma diversidade maior de coproduções internacionais, o que do meu ponto de vista, tem sido fundamental para a dinamização do cinema de animação.

O que sente em relação ao CINANIMA e em fazer parte do painel de jurados?

É para mim um orgulho muito grande poder participar de um painel com a longa tradição que o CINANIMA possui e a bagagem artística e cultural que representa. Tem sido um privilégio poder participar ao longo destes anos em várias edições e diferentes painéis, e é com um gosto muito especial que o faço também este ano. Sempre fui muito bem acolhido e acarinhado. Tenho tido, ao longo dos anos, a satisfação de poder estar presente em vários festivais nacionais e internacionais, e neste sentido, é com um grande prazer que olho para o CINANIMA que procura reinventar-se a cada ano e continua a trazer, com uma preocupação muito grande, o que de melhor se faz na animação, um pouco por todo o mundo.

Quais são as suas expectativas para a edição deste ano? Este ano, estar no painel da seleção das escolas, é ter a oportunidade de visualizar centenas de filmes. Além de profissional, como professor de animação é um estímulo muito grande poder assistir, em primeira mão, ao aparecimento de novos talentos e perceber o quanto as escolas estão empenhadas no desenvolvimento de projetos de animação. Para mim essa experiência traduzir-se-á numa motivação acrescida para os meus alunos. Estando neste painel não poderia deixar de dizer que as escolas de animação em Portugal têm feito um esforço muito grande no sentido de oferecer uma formação de grandes exigências e qualidade. O panorama internacional das escolas revela um mesmo esforço, mas com a inclusão de novas escolas que têm sabido competir com as mais reconhecidas. Apesar do passado recente do confinamento, considero que boa parte das produções fílmicas dos estudantes têm grande interesse plástico e narrativo. Será certamente muito interessante assistir a quem irá levar o prémio das escolas.


PEDRO PEREZ

“É um orgulho fazer parte deste Festival e deste Júri”

É espinhense “de gema” e a paixão pelo Cinema de Animação e banda-desenhada surgiu quando era criança. Pedro Perez teve o seu primeiro contacto com CINANIMA em 1979, como espectador numa ida com a escola ao “saudoso Cinema S. Pedro”. De elemento do público, passou para colaborador do CINANIMA, em 1988, e hoje diz sentir orgulho por fazer parte do Festival e integrar o Júri de Seleção. Para esta edição do CINANIMA, espera que – após os dois anos de pandemia – seja possível o regresso do convívio e da partilha de conhecimentos e experiências.

Há quanto tempo e de que forma surgiu a sua aproximação ao cinema de animação?

Desde pequeno que tenho gosto pelo cinema de animação e pela banda desenhada. Tive o privilégio de nascer em Espinho e desde os meus 10 anos que vou ao CINANIMA. Primeiro como espetador, (a minha primeira ida foi com a minha escola, em 1979, no saudoso Cinema S. Pedro) e, em 1988, comecei a colaborar com o CINANIMA a convite do Sr. António Gaio.

Que análise faz sobre a evolução do cinema de animação nos últimos anos?

Com a evolução das tecnologias veio também a evolução do cinema de animação, tornou-se mais “fácil” fazer um filme de animação e também ensinar animação. A cada ano aumentam os filmes realizados submetidos a concurso. Existem já vários programas a nível escolar para a criação de filmes de animação. Tenho assistido com entusiasmo ao aparecimento de cada vez mais realizadores portugueses com trabalhos de excelente qualidade.

O que sente em relação ao CINANIMA e em fazer parte do painel de jurados?

É um orgulho fazer parte deste Festival e deste Júri. Como já referi anteriormente, a minha ligação ao CINANIMA já vem de há muitos anos … “Já tenho a animação no sangue”.

Quais são as suas expetativas para a edição deste ano?

Espero que seja um ano com muita qualidade e que, após estes dois anos de pandemia, seja possível ter um Festival de convívio, partilha de conhecimentos e experiências.